Mamona – a curandeira mundana

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Se você tem mais de 40 anos, talvez carregue na memória aquela brincadeira de infância travessa e feliz de arremessar as bolinhas “espinhudas” da mamona, ou o passei pela rua num dia de sol ou chuva onde as folhas largas da mamona se tornavam chapéus ou guarda-chuvas imaginários, que poderiam ser verdes ou avermelhados a depender da qualidade da mamona. Um encanto que também tenho desde criança é com a inflorescência da mamona, na forma de cachos “peludinhos” e com florezinhas delicadas, que só na graduação fui saber que se tratava de uma espécie monóica, com flores femininas pistiladas, geralmente na parte superior, e masculinas estaminadas com seus grãos de pólen, parte inferior, ocorrendo na mesma planta. A Natureza e suas delicadezas, seus encantamentos!    Essa é a mamona — tão presente, tão comum, e ao mesmo tempo tão despercebida — é dessas plantas que acompanha silenciosamente os passos da humanidade.

Ricinus communis é seu nome científico; mamona, seu nome popular. Diz-se que “mamona” talvez venha de mumono, do quimbundo — língua africana falada em Angola — pela semelhança entre as folhas da mamona e do mamoeiro.

Originária da África, ela viajou com povos e histórias, tornando-se quase cidadã do mundo, já que podemos encontrá-la em praticamente todos os continentes, em centenas de países e crescendo sobre a influência de uma variedade grande de condições climáticas. Muito comum nos terrenos baldios, aqui no Brasil, provavelmente aportou trazida pelos povos africanos escravizados e pelos portugueses, que já utilizavam seu óleo para iluminação e para lubrificar eixos de carroças. Uma planta mundana, e eu diria uma curandeira mundana, dessas que trabalham sem alarde, desobstruindo dores, aliviando pesos, fertilizando caminhos.

O óleo prensado de suas sementes, espesso e brilhante, é matéria-prima para biodiesel, plásticos, fibras sintéticas, esmaltes, resinas e lubrificantes.

John Robert McPherson, CC BY-SA 4.0

Na área médica, seu principal componente — o ácido ricinoleico — vem sendo estudado como biopolímero promissor na engenharia de tecidos, servindo como suporte para a regeneração de ossos e cartilagens.

E no universo da aromaterapia e dos cuidados naturais?

Ah… aí a mamona revela sua sabedoria ancestral!  Seu óleo é conhecido por estimular o crescimento de cílios e sobrancelhas, fortalecer unhas, apoiar a cicatrização, além de oferecer ação analgésica e anti-inflamatória — útil em quadros como artrite reumatoide, psoríase, bruxismo e dores musculares. Na Aromaluz, temos encontrado resultados especialmente significativos nas compressas com óleo de mamona, voltadas para processos inflamatórios e dores persistentes.

Na medicina popular, seus caminhos direcionam seu uso para o alívio de prisão de ventre, como vermífugo, no combate a piolhos e carrapatos; e as folhas, aplicadas como emplasto, são aliadas tradicionais para furúnculos, acne, e compressas para reumatismo e dores articulares, além de acompanhar banhos de assento em casos de hemorroidas e candidíase.

Mas há algo que foge da bioquímica e do recurso fisiológico e se revela no silêncio do sentir, e para isso, eu gosto sempre de relembrar que os óleos vegetais graxos, fixos, também derivam de um Ser Vivo Planta, também são filhos do Reino Vegetal, são matéria viva que carregam memórias, ritmos, vibrações.

E nas vivências que temos realizado nos últimos anos com o óleo de mamona, a mensagem que chega desse ser vivo é: uma energia que limpa camadas antigas, que desentope o que estagnou, que dissolve o peso das memórias densas, levando embora aquilo que não serve mais. Uma força que procura o ponto da dor para aliviar; uma vibração de purificação, fluidez, vitalidade — como se abrisse um canal de luz por dentro, trazendo alinhamento e clareza mental.

Diante de tantos encantamentos, vira e mexe, me pego pensando no quanto ainda temos a aprender com as plantas. Elas são nossas anciãs. Estavam aqui muito antes de nós, e talvez saibam mais sobre corpo, alma e tempo do que imaginamos. Basta silenciar a mente, fechar os olhos e permitir que elas falem na linguagem que conhecem: sensação, pulsação, presença.

Se você, assim como nós, também se encantou pela mamona, permita-se esse encontro sutil – pingue 3 a 5 gotas do óleo de mamona na palma das mãos, esfregar suavemente, respirar fundo e perceba: qual parte do seu corpo pede essa vibração?

Deixe que a planta conduza. Deixe que ela mostre o caminho da limpeza, do alívio. E depois, se desejar, compartilhe conosco sua experiência!

Temos uma aula especial aqui – clique e confira! 

Texto por: Giane Carneiro, bióloga, Dra. em Biologia Celular, Aromaterapeuta e Benzedeira.